Indústria de Defesa

Primeiro Gripen E produzido no Brasil voa e consolida capacidade industrial da Defesa

Primeiro Gripen E produzido no Brasil voa e consolida capacidade industrial da Defesa

Voo inaugural realizado em Gavião Peixoto marca nova etapa do programa e evidencia a transformação da transferência de tecnologia em capacidade industrial instalada no país

O primeiro caça Gripen E produzido no Brasil pela Embraer realizou seu voo inaugural em 6 de outubro, a partir do complexo industrial de Gavião Peixoto, em São Paulo. O voo, realizado às 10h21, marcou uma nova etapa do programa desenvolvido em parceria entre a Embraer e a Saab e representa um avanço na consolidação da capacidade brasileira de fabricar, integrar e testar aeronaves de combate avançadas.

Mais do que o primeiro voo de uma aeronave, o marco evidencia a evolução de um processo industrial iniciado há mais de uma década. O programa Gripen foi estruturado com forte componente de transferência de tecnologia e participação da indústria brasileira, permitindo a formação de infraestrutura, mão de obra especializada, engenharia e conhecimento aplicado à fabricação de sistemas de alta complexidade.

De transferência de tecnologia a capacidade produtiva
A importância industrial do voo está justamente na etapa alcançada. A unidade de Gavião Peixoto passou a integrar a cadeia global de produção do Gripen e abriga atualmente a única linha de montagem final do caça fora da Suécia. A aeronave que realizou o voo é a primeira de 15 unidades previstas para produção no Brasil dentro do contrato atual.

O processo envolve mais do que montagem final. A participação brasileira desenvolveu competências em engenharia, integração, fabricação e testes, criando uma estrutura que pode permanecer como ativo industrial mesmo além do atual lote contratado.

Para a Base Industrial de Defesa, esse aspecto é particularmente relevante. Programas de grande complexidade tecnológica podem gerar efeitos que ultrapassam a aquisição de determinado equipamento quando incorporam empresas nacionais, centros de engenharia e fornecedores a uma cadeia produtiva internacional.

Gavião Peixoto ganha papel na cadeia global do Gripen
O voo também reforça a posição de Gavião Peixoto dentro do modelo industrial da Saab. Segundo as empresas, a capacidade instalada no Brasil poderá complementar a linha de montagem final localizada em Linköping, na Suécia.

Esse movimento ganha importância diante do acordo anunciado em julho entre Embraer e Saab para estabelecer as bases para a potencial produção de 20 Gripen adicionais no Brasil. A proposta prevê a montagem das aeronaves em Gavião Peixoto para atender oportunidades nos mercados brasileiro e internacional. O acordo ainda depende da conclusão dos contratos correspondentes.

A possibilidade de utilizar uma linha brasileira para atender também a uma demanda internacional altera a dimensão econômica do programa. O parque industrial construído para atender uma necessidade nacional passa a ter potencial para participar de uma cadeia de fornecimento orientada também ao mercado externo.

O próximo passo é a campanha de ensaios
O voo inaugural não representa a conclusão do processo. A aeronave entra agora em uma campanha de ensaios de voo de produção e aceitação, destinada a verificar sistemas, desempenho e características da aeronave antes da entrega à Força Aérea Brasileira.

O voo foi conduzido pelo piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, com planejamento e execução apoiados por engenheiros de voo da Embraer. Segundo a Saab, a missão verificou as funções básicas dos sistemas e o desempenho inicial do caça.

Após a campanha de aceitação e certificação, a aeronave deverá ser entregue à FAB e transferida para a Base Aérea de Anápolis, onde se juntará ao Primeiro Grupo de Defesa Aérea, unidade que já opera Gripen.

Um ativo industrial que ultrapassa o programa atual
O principal efeito do primeiro voo brasileiro está, portanto, além da incorporação de mais uma aeronave à frota da FAB. O programa criou uma infraestrutura industrial especializada capaz de participar de uma cadeia internacional de produção de aeronaves de combate.

Essa capacidade envolve ativos difíceis de desenvolver no curto prazo: instalações específicas, processos de manufatura, engenharia aeronáutica, integração de sistemas, ensaios, qualificação profissional e relacionamento com fornecedores especializados.

Para a BID brasileira, a questão passa a ser como transformar essa infraestrutura em uma plataforma permanente de negócios e desenvolvimento tecnológico. A eventual produção adicional de Gripen, inclusive para oportunidades internacionais, pode ampliar a escala industrial e preservar competências desenvolvidas ao longo do programa.

O voo inaugural do primeiro Gripen E produzido no país materializa, assim, uma mudança de estágio: o Brasil deixa de participar apenas como operador de uma plataforma estrangeira e passa a integrar sua produção dentro de uma cadeia industrial internacional. É nesse ponto que um programa de aquisição de Defesa passa a produzir efeitos mais amplos sobre tecnologia, engenharia, fornecedores e competitividade da indústria nacional.

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