Itajaí amplia articulação da indústria de Defesa em torno da cadeia das Fragatas Tamandaré
Programa naval já associado a mais de 20 mil postos de trabalho impulsiona busca por novos fornecedores, tecnologias e capacidades industriais em Santa Catarina
Itajaí, em Santa Catarina, vem ampliando sua posição como polo da Base Industrial de Defesa a partir da construção das quatro Fragatas Classe Tamandaré destinadas à Marinha do Brasil. O programa, segundo informações divulgadas pelo município, já está associado a mais de 20 mil postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos e começa a gerar uma segunda frente de desenvolvimento: a ampliação da cadeia de fornecedores e de competências tecnológicas no entorno do projeto.
Esse movimento esteve no centro de uma reunião do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa (Condefesa/FIESC), realizada em Itajaí com a participação de representantes da Marinha, Ministério da Defesa, empresas e instituições catarinenses. A proposta é aproximar empresas locais das demandas atuais e futuras do setor e identificar capacidades que possam ser incorporadas à cadeia produtiva de Defesa.
Um dos mecanismos utilizados para essa aproximação é a iniciativa “Economia Azul – Eixo Defesa”, do Sebrae/SC, que apresenta empresas e competências locais na vitrine “Capacidades Catarinenses para Defesa e Segurança”. A iniciativa procura transformar conhecimento e capacidade industrial já existentes no estado em oportunidades concretas de fornecimento para o setor.
A agenda também inclui discussões sobre inovação, tecnologias de aplicação dual e mobilização da indústria. Para a BID, esse aspecto é particularmente relevante: empresas que originalmente atuam em mercados civis podem encontrar oportunidades na Defesa quando possuem tecnologia, processos, certificações e capacidade produtiva compatíveis com os requisitos militares.
A construção das Fragatas Tamandaré cria, nesse contexto, uma demanda que vai além da fabricação das próprias embarcações. Programas navais de maior complexidade mobilizam fornecedores de componentes, eletrônica, sistemas, serviços especializados, engenharia, manutenção e mão de obra qualificada. A presença desse ecossistema pode contribuir para ampliar a densidade tecnológica da indústria regional e criar competências que permaneçam disponíveis após a conclusão das encomendas iniciais.
Outro ponto em discussão é a possibilidade de construção de mais quatro embarcações no estaleiro TKMS Brasil Sul. A informação ainda está em fase de tratativas e não representa uma contratação confirmada. Caso avance, porém, uma nova encomenda poderá ampliar a demanda por fornecedores, profissionais especializados e serviços associados à construção e ao ciclo de vida dos navios.
O movimento de Itajaí mostra uma característica cada vez mais importante para a Base Industrial de Defesa: grandes programas militares podem funcionar como âncoras para o desenvolvimento de ecossistemas industriais regionais. O desafio está em transformar a demanda inicial de um programa específico em capacidade permanente de engenharia, produção, inovação e fornecimento.
Para Santa Catarina, a oportunidade está em conectar empresas que já possuem competências industriais e tecnológicas às necessidades da Defesa. Para a BID brasileira, o processo reforça a importância de ampliar a participação de fornecedores nacionais e de aproveitar o potencial das tecnologias de uso dual para aumentar a capacidade produtiva e tecnológica do setor.