Tecnologia e Inovação

SIATT incorpora inteligência artificial a novos sistemas de guiagem de mísseis

Tecnologia desenvolvida no Brasil amplia as capacidades dos seekers do MAX, MANSUP e MANSUP-ER e abre nova frente para a evolução dos armamentos inteligentes

SIATT incorpora inteligência artificial a novos sistemas de guiagem de mísseis

A SIATT, empresa brasileira especializada no desenvolvimento de sistemas de defesa e integrante do Grupo EDGE, está incorporando inteligência artificial à nova geração de seekers — os buscadores responsáveis pela identificação e acompanhamento de alvos — destinados a diferentes famílias de mísseis desenvolvidas pela companhia.

A tecnologia está sendo aplicada aos sistemas MAX 1.2 AC, MANSUP e MANSUP-ER, ampliando a capacidade de reconhecimento, classificação e acompanhamento de alvos e adicionando novas possibilidades de automação ao ciclo de guiagem dos armamentos. (Infodefensa)

O movimento representa uma evolução importante para a indústria brasileira porque desloca parte relevante da inovação para dentro dos componentes críticos do sistema de armas. Em vez de atuar apenas como elemento de detecção, o novo seeker passa a utilizar algoritmos capazes de interpretar informações do ambiente e apoiar decisões de guiagem durante a missão.

IA passa a integrar o sistema de guiagem
No caso do MAX 1.2 AC, míssil anticarro da SIATT, o novo seeker utiliza inteligência artificial para reconhecer e fixar automaticamente determinados tipos de veículos blindados.

A arquitetura mantém a decisão de disparo sob responsabilidade do operador. Depois da autorização, entretanto, o sistema pode conduzir automaticamente o míssil ao alvo, reduzindo a necessidade de manutenção contínua da linha de visada característica de sistemas ópticos tradicionais. (Infodefensa)

A tecnologia também permite trabalhar com informações relacionadas à trajetória durante o voo e utilizar processos de treinamento da IA para aperfeiçoar o desempenho do sistema de guiagem.

Esse tipo de capacidade é particularmente relevante para a evolução dos chamados armamentos inteligentes, nos quais sensores, processamento de dados, algoritmos e sistemas de controle passam a ter peso semelhante ao dos componentes mecânicos e propulsivos.

MANSUP e MANSUP-ER ganham nova capacidade de seleção de alvos
A mesma linha tecnológica está sendo direcionada aos seekers dos mísseis antinavio MANSUP e MANSUP-ER.

Segundo as informações divulgadas pela SIATT à Infodefensa, a inteligência artificial poderá permitir que o sistema diferencie diferentes tipos de navios e identifique aqueles considerados prioritários dentro de uma formação naval. (Infodefensa)

A evolução é particularmente significativa para a família MANSUP porque acrescenta uma camada de processamento inteligente à arquitetura de um programa que já representa uma das principais iniciativas brasileiras de domínio de tecnologias de mísseis antinavio.

A SIATT já responde por competências importantes do MANSUP, incluindo o sistema de guiagem, navegação e controle e os sistemas de telemetria. O programa também vem avançando em diferentes configurações e possibilidades de emprego, incluindo a integração do MANSUP e MANSUP-ER a plataformas terrestres. (Infodefensa)

Navegação por imagens amplia o potencial da tecnologia
Outro desenvolvimento apresentado pela empresa envolve um sistema de navegação baseado na comparação de imagens aéreas e de satélite com auxílio de inteligência artificial.

A tecnologia pode permitir a criação automática de waypoints durante o planejamento da missão ou mesmo em resposta a alterações nas necessidades operacionais. Entre os métodos mencionados estão técnicas de processamento de imagens como homografia e RANSAC. (Infodefensa)

A aplicação desse tipo de recurso amplia o campo de atuação da IA para além da identificação do alvo. O processamento passa a participar também da navegação e do planejamento da trajetória, criando uma arquitetura mais integrada entre percepção, navegação e guiagem.

Tecnologia crítica para a Base Industrial de Defesa
O desenvolvimento tem importância que ultrapassa o desempenho individual de um míssil. Para a Base Industrial de Defesa, o domínio de tecnologias como sensores, processamento embarcado, algoritmos de reconhecimento e sistemas de navegação representa uma capacidade transversal que pode ser aplicada a diferentes famílias de produtos.

Esse aspecto ganha relevância diante da expansão da infraestrutura industrial da SIATT. Em agosto, a empresa iniciou as operações de sua unidade em Caçapava (SP), destinada ao desenvolvimento e à fabricação de sistemas estratégicos de Defesa e Espaço. (DefesaNet)

A companhia também vem ampliando a presença internacional de seus produtos. Em abril, MANSUP e MAX 1.2 foram apresentados na FIDAE 2026, enquanto o MANSUP-ER foi levado à DSA 2026, reforçando a estratégia de inserção internacional dos sistemas brasileiros. (Defesa.TV)

Nesse contexto, a incorporação de IA aos seekers pode ser entendida como parte de uma transformação mais ampla: a passagem de sistemas de armas predominantemente guiados por parâmetros previamente definidos para arquiteturas capazes de interpretar informações do ambiente e adaptar seu comportamento dentro dos limites estabelecidos pelo projeto.

Para a indústria brasileira, o ponto central está no domínio dessas tecnologias críticas. Quanto maior a participação nacional em sensores, software embarcado, processamento, navegação e controle, maior a capacidade de evoluir os sistemas de armas sem depender integralmente de fornecedores externos.

A nova geração de seekers desenvolvida pela SIATT coloca, assim, a inteligência artificial no núcleo de uma das áreas mais sensíveis da indústria de defesa: a capacidade de transformar informação em precisão e efetividade operacional.

 

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