Tecnologia e Inovação

Harpia amplia presença de sistemas não tripulados na Operação Formosa 2026

SARP desenvolvido no Brasil pela ADTECH-SD foi empregado em missões de Inteligência, Vigilância, Reconhecimeno e Aquisição de Alvos durante exercício do Corpo de Fuzileiros Navais

Harpia amplia presença de sistemas não tripulados na Operação Formosa 2026

A Operação Formosa 2026 colocou sistemas não tripulados em uma posição cada vez mais relevante dentro do treinamento operacional das Forças Armadas. Realizado na segunda quinzena de setembro, no Campo de Instrução de Formosa (CIF), em Goiás, o exercício contou com a participação do SARP Harpia, desenvolvido e fabricado no Brasil pela Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD), Empresa Estratégica de Defesa (EED).

A participação ocorreu a convite do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil. Durante a fase de demonstração operacional, o Harpia foi empregado em missões de Inteligência, Vigilância, Reconhecimento e Aquisição de Alvos (IVR/ISTAR), transmitindo imagens e dados em tempo real para o acompanhamento das movimentações e manobras realizadas na área de exercício.

A Operação Formosa reúne meios terrestres, aéreos e anfíbios em um ambiente destinado ao adestramento e à avaliação de capacidades militares. Em 2026, o exercício mobilizou aproximadamente 2.900 militares brasileiros, 198 viaturas, 33 viaturas blindadas, oito aeronaves e 18 drones, além da participação de tropas dos Estados Unidos, França e Paraguai e de observadores militares estrangeiros.

Nesse contexto, a utilização de SARP amplia a capacidade de obtenção de informações sobre o campo de batalha sem exigir a exposição direta de aeronaves tripuladas. A transmissão de dados em tempo real permite acompanhar áreas extensas e apoiar a formação da consciência situacional dos elementos responsáveis pelo planejamento e condução das operações.

Segundo as especificações apresentadas pela empresa, o Harpia possui autonomia de até 10 horas de voo contínuo, raio de ação ampliado e enlace de dados seguro com alcance de até 180 quilômetros, certificado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A plataforma foi projetada para receber diferentes cargas úteis e cumprir missões de vigilância, reconhecimento e apoio à aquisição de alvos.

A arquitetura modular também representa um aspecto relevante para o desenvolvimento da capacidade nacional em sistemas aéreos não tripulados. A possibilidade de adaptar sensores e demais cargas úteis a diferentes perfis de missão permite que uma mesma plataforma seja empregada em cenários operacionais distintos, acompanhando a evolução dos requisitos das Forças Armadas.

Além do emprego no exercício, a ADTECH-SD participou da I Exposição de Defesa Expedicionária em Formosa (EDEF), realizada entre 21 e 24 de setembro. O evento reuniu 22 estandes de empresas da Base Industrial de Defesa e criou um espaço de interação entre fabricantes, usuários militares, autoridades e delegações estrangeiras.

A exposição também permitiu apresentar o Harpia a representantes das Forças Armadas e potenciais parceiros, aproximando o desenvolvimento tecnológico nacional das necessidades observadas no ambiente operacional. Essa interação é particularmente relevante para sistemas não tripulados, uma área em rápida evolução e na qual sensores, enlaces de dados, autonomia, processamento de informações e integração com sistemas de comando e controle são componentes decisivos.

Para a BID, exercícios como a Operação Formosa funcionam ainda como ambientes de validação tecnológica. A demonstração de um equipamento em condições operacionais permite identificar necessidades, avaliar seu desempenho e gerar informações que podem ser incorporadas às próximas etapas de desenvolvimento e aperfeiçoamento do produto.

Esse ciclo entre requisito militar, desenvolvimento industrial, teste e avaliação é um dos elementos centrais para a consolidação de capacidades tecnológicas nacionais. No caso dos sistemas remotamente pilotados, a experiência acumulada em exercícios de grande porte pode contribuir para o desenvolvimento de plataformas mais adaptadas às características geográficas e operacionais brasileiras.

A presença do Harpia em Formosa ocorre em um momento de expansão do emprego de sistemas não tripulados nas atividades de Defesa. Drones e SARP passaram a desempenhar funções que vão além da simples observação aérea, incorporando missões de inteligência, reconhecimento, vigilância, aquisição de alvos, monitoramento de áreas e apoio à tomada de decisão.

A Operação Formosa 2026, ao reunir meios convencionais, sistemas aéreos não tripulados e empresas da BID em um mesmo ambiente, evidencia justamente essa convergência entre capacidade operacional e desenvolvimento tecnológico. Para a indústria brasileira, a participação em exercícios dessa escala representa uma oportunidade de submeter produtos nacionais a situações concretas de emprego e aproximá-los dos requisitos dos usuários militares.

Com sede em São José dos Campos (SP), a ADTECH-SD atua no desenvolvimento e operação de aeronaves não tripuladas e soluções de vigilância e inteligência. Reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa, a companhia concentra suas atividades em sistemas voltados à segurança, defesa territorial e monitoramento estratégico.

A participação do Harpia na Operação Formosa reforça, assim, a presença de tecnologias nacionais no processo de modernização dos meios empregados pelas Forças Armadas e mostra como os exercícios operacionais podem funcionar também como plataformas de avaliação e amadurecimento da Base Industrial de Defesa brasileira.

 

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