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FAB amplia autonomia na manutenção dos mísseis Harpoon e prepara transição após 2035

FAB amplia autonomia na manutenção dos mísseis Harpoon e prepara transição após 2035

Plano de suporte logístico prevê manutenção nacional, recertificação dos armamentos e formação de estoques diante da futura redução do apoio norte-americano ao sistema

A Força Aérea Brasileira (FAB) estabeleceu uma estratégia para manter operacionais os mísseis antinavio AGM-84L Harpoon Block II, empregados pelos aviões de patrulha marítima P-3AM Orion, enquanto prepara alternativas para o período posterior a 2035.

As diretrizes estão previstas no Plano de Suporte Logístico Integrado do Projeto Harpoon, aprovado pela Portaria DIRMAB/TEON-3 nº 361, de 5 de abril de 2026. O documento organiza as ações necessárias para preservar a disponibilidade dos mísseis, reduzir riscos logísticos e antecipar possíveis problemas de abastecimento.

Manutenção ganha maior participação nacional
Uma das principais medidas adotadas pela FAB é a ampliação da capacidade de manutenção realizada no Brasil.

O Parque de Material Bélico da Aeronáutica do Rio de Janeiro (PAMB-RJ) atua como Parque Central do Projeto Harpoon, enquanto a Base Aérea de Santa Cruz é a organização operadora indicada no plano.

As atividades de manutenção de primeiro e segundo níveis já foram internalizadas. Entre elas estão inspeções de armazenamento, controle de umidade, procedimentos de conservação, testes funcionais e diagnóstico de falhas.

A FAB também dispõe de equipamentos específicos para realizar avaliações intermediárias em território nacional, permitindo inclusive que essa capacidade seja deslocada para outras bases quando necessário.

A autonomia, entretanto, ainda é parcial. Serviços de terceiro nível e intervenções industriais mais complexas continuam dependendo da Boeing e de contratos específicos.

Recertificação será necessária na próxima década
Outro ponto central do planejamento é a extensão da vida operacional dos mísseis.

Após inspeções realizadas pela Boeing em 2020, os armamentos receberam validade operacional de dez anos. Com isso, a FAB programou processos de recertificação para diferentes lotes a partir de 2030 e 2033.

O planejamento prevê que essas contratações sejam iniciadas com antecedência para evitar períodos de indisponibilidade entre o encerramento da validade atual e a conclusão dos trabalhos de extensão da vida útil.

O suporte complementar continua associado ao programa Foreign Military Sales (FMS) dos Estados Unidos, que também oferece assistência de engenharia, investigação de falhas, atualização de documentação técnica, treinamento e acesso a componentes específicos.

O desafio depois de 2035
O principal fator que influencia a estratégia brasileira é a previsão de retirada da versão de lançamento aéreo do Harpoon do serviço da Marinha dos Estados Unidos em 2035.

A mudança poderá reduzir gradualmente a disponibilidade internacional de componentes, serviços especializados, conhecimento técnico e apoio governamental relacionado ao sistema.

Diante desse cenário, a FAB pretende manter o suporte pelo FMS até 2035, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade nacional de manutenção e forma estoques de segurança.

A estratégia busca reduzir a exposição a prazos elevados de aquisição e a eventuais interrupções da cadeia internacional de suprimentos.

Planejamento para o ciclo final do sistema
A estratégia também prevê uma nova avaliação técnica até 2032. O estudo deverá considerar o histórico operacional acumulado, o avanço da obsolescência, o cenário internacional e possíveis alternativas ao atual modelo de suporte.

O caso do Harpoon evidencia um desafio recorrente para sistemas de Defesa de longo ciclo de vida: manter uma capacidade operacional não depende apenas da existência dos equipamentos, mas também da disponibilidade de peças, conhecimento técnico, infraestrutura de manutenção e fornecedores.

Para a Base Industrial de Defesa, a experiência reforça a importância de desenvolver e preservar competências nacionais capazes de sustentar sistemas complexos durante todo o seu ciclo de vida.

No caso brasileiro, a estratégia para o Harpoon combina manutenção nacional, apoio internacional, recertificação e formação de estoques, enquanto a FAB se prepara para um cenário em que o suporte externo ao sistema deverá se tornar progressivamente mais limitado.

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