Brasil e Suécia ampliam cooperação em Defesa e avaliam novas oportunidades para a Base Industrial de Defesa
Brasil e Suécia ampliam cooperação em Defesa e avaliam novas oportunidades para a Base Industrial de Defesa
Novo Plano de Ação para o terceiro século das relações bilaterais prevê aprofundamento da parceria em aeronaves de combate, sistemas não tripulados, munições, espaço, ciberespaço e cadeias de suprimentos
Brasil e Suécia ampliaram as diretrizes de cooperação bilateral em Defesa com a assinatura do Plano de Ação para o Terceiro Século das Relações Bilaterais. O documento foi firmado em Brasília, em 5 de agosto de 2026, durante a visita oficial da ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Maria Malmer Stenergard, e atualiza os mecanismos de cooperação estabelecidos desde a Parceria Estratégica de 2009 e o Plano de Ação de 2015.
A área de Defesa permanece como um dos principais eixos da relação estratégica entre os dois países. No centro dessa parceria está o Programa FX-2, que resultou na seleção do Gripen E/F, posteriormente designado F-39 Gripen pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Além da aquisição das aeronaves, o programa estruturou um modelo de cooperação industrial e transferência de tecnologia que ampliou a participação brasileira no desenvolvimento, produção, manutenção e suporte do caça. Para a Base Industrial de Defesa (BID), o novo plano sinaliza a possibilidade de ampliar esse modelo para outros segmentos tecnológicos e industriais.
O documento registra a continuidade das entregas das 36 aeronaves Gripen F-39 adquiridas pelo Brasil e destaca a consolidação do programa na Base Aérea de Anápolis (GO). Também é ressaltada a apresentação, em 25 de março de 2026, do primeiro Gripen E produzido no Brasil.
Outro marco citado é o primeiro Gripen F destinado à FAB, apresentado em Linköping, na Suécia, em 2 de junho de 2026, durante visita do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho.
Possível ampliação da frota Gripen
O Plano de Ação também registra as negociações em andamento para uma possível emenda ao contrato atualmente vigente e para a aquisição de 20 aeronaves Gripen E/F adicionais.
A iniciativa está associada aos requisitos identificados para a defesa nacional brasileira e poderá representar uma nova etapa de expansão da cadeia produtiva vinculada ao programa.
O documento também menciona a intenção de estabelecer um Centro de Inovação dedicado ao desenvolvimento e à prospecção de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, manutenção e modernização dos Gripen.
Para a BID brasileira, a iniciativa tem potencial de ampliar capacidades tecnológicas, estimular a formação de profissionais especializados e aprofundar a participação de empresas nacionais em atividades de maior complexidade tecnológica.
Produção nacional e cadeia de fornecedores
A cooperação já estabelecida entre as empresas dos dois países é apresentada como um dos principais resultados da parceria. O Plano de Ação destaca a unidade de apoio da Saab na Base Aérea de Anápolis, a planta industrial da empresa em São Bernardo do Campo (SP) e a integração de suas atividades às instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP), onde está localizada a linha de produção brasileira do Gripen.
O documento ressalta ainda os ganhos tecnológicos decorrentes da parceria aeronáutica e estabelece como objetivo ampliar a integração entre as Bases Industriais de Defesa do Brasil e da Suécia.
Entre as possibilidades está a participação de empresas brasileiras como fornecedoras certificadas de subconjuntos, matérias-primas e tecnologias de uso dual nas cadeias de suprimentos de defesa dos dois países.
A diretriz abre espaço para que a cooperação avance além da relação entre grandes empresas e alcance fornecedores de diferentes níveis da cadeia produtiva, especialmente aqueles com competências em materiais, componentes, eletrônica, software, sistemas embarcados e tecnologias de uso dual.
Novas áreas de cooperação
O Plano de Ação prevê a exploração de oportunidades de cooperação em veículos blindados, armamentos, munições, sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS), sistemas de combate a aeronaves não tripuladas (C-UAS), espaço e ciberespaço.
Outro ponto de destaque é a intenção de fortalecer a resiliência das cadeias de suprimentos de Defesa e estabelecer mecanismos que contribuam para um fornecimento contínuo e previsível de armamentos e munições.
O documento também incentiva a formação de parcerias industriais de longo prazo, joint ventures e projetos de codesenvolvimento tecnológico entre empresas brasileiras e suecas.
A proposta amplia o horizonte da parceria para além da aquisição de equipamentos, incorporando desenvolvimento tecnológico, produção, logística, manutenção e sustentabilidade das cadeias industriais.
Gripen e KC-390
A cooperação também se estende ao setor aeronáutico comercial e de Defesa. O plano registra a aquisição, pela Suécia, de quatro aeronaves multimissão Embraer C-390, em outubro de 2025.
Brasil e Suécia manifestam ainda a intenção de atuar conjuntamente na promoção do Gripen e do C-390 em terceiros mercados, criando uma frente de cooperação comercial internacional envolvendo duas plataformas produzidas por empresas com participação relevante nos respectivos países.
A possibilidade de atuação conjunta em mercados externos adiciona uma dimensão comercial à parceria industrial, especialmente em um cenário de crescente demanda internacional por aeronaves de combate, transporte militar e soluções integradas de defesa.
Controle de exportações e cooperação institucional
Outro avanço destacado é a entrada em vigor, em setembro de 2025, do Protocolo sobre Controle de Exportação de Produtos de Defesa entre Brasil e Suécia, assinado em Brasília em novembro de 2022.
O mecanismo estabelece uma estrutura institucional para apoiar a cooperação e o comércio bilateral de produtos de defesa, aspecto relevante para empresas inseridas em cadeias internacionais de fornecimento.
O Plano de Ação também reafirma a importância do Diálogo Político-Militar Brasil–Suécia (Diálogo 2+2), criado em 2015, além da continuidade das reuniões do Comitê Executivo de Alto Nível (CAE).
Está prevista ainda a continuidade do grupo de trabalho envolvendo o Ministério da Defesa do Brasil, a Força Aérea Brasileira e o Ministério da Defesa da Suécia, conforme estabelecido na Carta de Intenções assinada pelos ministros da Defesa em novembro de 2024, em Natal (RN).
Uma parceria que avança para além do Gripen
A nova agenda bilateral indica uma evolução do modelo de cooperação construído em torno do Gripen. O programa permanece como principal eixo da relação industrial e tecnológica, mas o novo Plano de Ação amplia o escopo para áreas como sistemas não tripulados, munições, defesa contra drones, espaço, cibersegurança e cadeias de suprimentos.
Para a Base Industrial de Defesa brasileira, um dos principais pontos de interesse está na possibilidade de maior inserção de empresas nacionais nas cadeias industriais suecas e brasileiras, inclusive por meio de fornecimento de componentes, tecnologias de uso dual, codesenvolvimento e parcerias industriais de longo prazo.
A perspectiva coloca a cooperação Brasil–Suécia em uma etapa na qual transferência de tecnologia e produção local passam a coexistir com integração de cadeias de fornecimento, desenvolvimento conjunto e busca de mercados internacionais.