Indústria de Defesa

“Almirante Karam” avança nos testes e reforça capacidade industrial do PROSUB

“Almirante Karam” avança nos testes e reforça capacidade industrial do PROSUB

Submarino construído no Brasil concluiu a imersão estática em Itaguaí e iniciou uma nova etapa de avaliações antes da incorporação à Marinha

O Submarino “Almirante Karam” (S43), quarto submarino convencional da Classe Riachuelo construído no Brasil no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), avançou para uma nova fase de testes após concluir sua primeira imersão estática na região de Itacuruçá, próxima ao Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro. Na sequência, a embarcação realizou seu primeiro mergulho, alcançando 14,5 metros de profundidade durante teste de estanqueidade.

A imersão estática é uma etapa de validação que permite verificar o comportamento do submarino na água antes do início de avaliações mais complexas. Sem utilizar a propulsão para deslocamento, a embarcação é colocada em uma condição controlada de imersão para que equipes técnicas possam avaliar a estanqueidade do casco, o equilíbrio, a estabilidade e o funcionamento dos sistemas de bordo.

Durante o procedimento, são analisadas as respostas do submarino às variações de peso e inclinação. Os dados obtidos são comparados aos parâmetros estabelecidos durante o projeto e a construção, permitindo verificar na prática características que haviam sido previamente calculadas pelos engenheiros.

Essa etapa tem importância particular em programas de construção naval complexos porque cada unidade pode apresentar pequenas diferenças na distribuição de peso decorrentes dos equipamentos e sistemas instalados. A avaliação individual permite estabelecer as condições reais de equilíbrio e estabilidade antes do avanço para testes de maior complexidade.

Da construção aos testes no mar
O “Almirante Karam” é baseado no projeto francês Scorpène e recebeu adaptações para atender aos requisitos da Marinha do Brasil. Sua construção foi realizada no País pela Itaguaí Construções Navais (ICN), dentro da estrutura industrial criada pelo PROSUB.

O programa estabeleceu no complexo de Itaguaí uma infraestrutura especializada para a construção e integração de submarinos, além de promover transferência de tecnologia, formação de mão de obra e desenvolvimento de competências industriais. A mesma estrutura foi utilizada na construção dos submarinos “Riachuelo”, “Humaitá” e “Tonelero”, já incorporados à Marinha.

A evolução do “Karam” demonstra, portanto, um dos resultados mais relevantes do programa para a Base Industrial de Defesa: a capacidade de transformar conhecimento adquirido por meio de transferência tecnológica em competência nacional de projeto, construção, integração, testes e manutenção de sistemas navais de alta complexidade.

O processo também cria uma base industrial que ultrapassa a construção de uma única classe de submarinos. O conhecimento acumulado na fabricação dos quatro submarinos convencionais é considerado parte da preparação tecnológica e industrial para a etapa seguinte do PROSUB, o Submarino Nuclear Convencionalmente Armado “Álvaro Alberto”.

Próximas etapas
Com a conclusão da imersão estática e a realização do primeiro mergulho, o “Almirante Karam” seguirá para avaliações progressivamente mais exigentes. Entre as próximas etapas estão testes de navegação na superfície, imersão dinâmica e avaliações dos sistemas de propulsão, governo, navegação, comunicação e detecção.

A sequência de testes é realizada de forma gradual, permitindo que os resultados de cada etapa sejam analisados antes do avanço para avaliações de maior complexidade. Esse processo inclui posteriormente testes relacionados ao desempenho da embarcação em diferentes condições operacionais.

A incorporação do “Almirante Karam” ao setor operativo da Marinha está prevista para o segundo semestre de 2027.

Para a Base Industrial de Defesa brasileira, o avanço do S43 representa mais do que a entrada de um novo submarino no inventário da Marinha. O programa consolida competências industriais desenvolvidas em Itaguaí e amplia a experiência nacional em construção naval militar, integração de sistemas e testes de plataformas submarinas.

A evolução do “Karam” também ocorre em uma etapa particularmente relevante do PROSUB: enquanto a quarta unidade convencional passa pelo processo de testes, a infraestrutura e o conhecimento acumulados no programa servem de base para o desenvolvimento do “Álvaro Alberto”, ampliando o nível de complexidade tecnológica da indústria naval de defesa brasileira.

 Fonte:Agencia Marinha de notícias

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