Almirante Karam avança na fase de testes e aproxima o PROSUB de sua etapa final
Primeira imersão estática do quarto submarino da Classe Riachuelo marca avanço na verificação dos sistemas e na preparação para a entrada em operação.
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) alcançou uma nova etapa com a realização da primeira imersão estática do Almirante Karam (S-43), em 25 de setembro de 2026, na Baía de Sepetiba, nas proximidades do Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro. Quarto e último submarino convencional da Classe Riachuelo, a embarcação atingiu 14,5 metros de profundidade durante o procedimento, sem utilizar a propulsão.
O teste teve como objetivo verificar a estanqueidade do casco, o funcionamento dos sistemas de lastro e as condições de equilíbrio e estabilidade da embarcação. Essa etapa integra o processo de avaliação técnica necessário antes da realização de provas mais complexas, que incluem navegação, imersão dinâmica e verificação dos sistemas de combate.
Construído pela Itaguaí Construções Navais (ICN), o S-43 representa mais um resultado da estrutura industrial estabelecida no Brasil para a construção de submarinos, com participação de empresas nacionais e transferência de tecnologia associada ao projeto francês Scorpène, desenvolvido pelo Naval Group e adaptado às necessidades brasileiras.
Capacidade industrial e domínio tecnológico
Com aproximadamente 71,6 metros de comprimento e deslocamento de cerca de 1.870 toneladas na superfície e 2.200 toneladas submerso, o Almirante Karam utiliza propulsão diesel-elétrica e foi projetado para missões de longa duração. Seu sistema de armas inclui seis tubos de 533 milímetros, destinados ao lançamento de torpedos pesados e, conforme a configuração operacional, armamentos antinavio compatíveis.
A construção de submarinos exige a integração de competências industriais de alta complexidade, que abrangem engenharia naval, fabricação de estruturas resistentes à pressão, sistemas de propulsão, sensores, eletrônica, comunicações e sistemas de combate. A continuidade desse tipo de programa também contribui para a formação de profissionais especializados e para a manutenção de fornecedores capazes de atender a requisitos rigorosos de qualidade, segurança e confiabilidade.
Nesse contexto, o PROSUB vai além da entrega de plataformas à Marinha. A continuidade da construção e da preparação operacional dos submarinos ajuda a sustentar conhecimentos técnicos, processos industriais e capacidades de integração de sistemas considerados estratégicos para a autonomia da Defesa brasileira.
De Angostura a Almirante Karam
A embarcação receberia originalmente o nome Angostura, em referência à posição fortificada paraguaia enfrentada pela Marinha Imperial durante a Guerra do Paraguai. Em outubro de 2024, porém, a Marinha do Brasil decidiu renomeá-la em homenagem ao Almirante de Esquadra Alfredo Karam, falecido em setembro daquele ano.
Karam teve trajetória ligada à Força de Submarinos, que comandou, e exerceu o cargo de ministro da Marinha entre 1984 e 1985. A escolha do nome associa o submarino à história da formação e do desenvolvimento da capacidade submarina brasileira.
Lançado ao mar em novembro de 2025, o S-43 deverá passar pelas próximas etapas de testes antes de sua incorporação ao setor operativo, prevista pela Marinha para o segundo semestre de 2027.
O submarino completa a série convencional da Classe Riachuelo, formada também pelo Riachuelo (S-40), Humaitá (S-41) e Tonelero (S-42). A conclusão dessa etapa do programa amplia a perspectiva de renovação da força submarina brasileira e reforça a importância de manter a base industrial, tecnológica e humana necessária à operação e à sustentação desses meios ao longo de seu ciclo de vida.
Fonte: Fronteira Militar. Texto adaptado a partir de informações atribuídas à publicação original.